Imagine acordar em uma cidade onde a quarentena durou décadas. Onde o vírus não foi um evento — foi o início de uma nova ordem. Agora imagine que seu trabalho é recolher corpos.
Esse é o ponto de partida de Crow’s Requiem, novo cRPG narrativo do estúdio brasileiro Ex Ignorantia, que mistura visual novel, HQ interativa e puzzles sob o rótulo que o próprio time define como Pandemicpunk.
Longe da fantasia de heroísmo absoluto, o jogo coloca o jogador em um papel desconfortavelmente humano: um Coletor de Corpos, conhecido como Corvo.
O que é ser um Corvo?
Você não é um soldado nem um salvador.
Você é a pessoa que limpa as consequências.
Na cidade de New Horizon, muros separam a população. As facções disputam poder. E você tem uma liberdade rara: circular entre elas.
Mas toda liberdade cobra um preço.
Cada corpo recolhido influencia reputações.
Cada conversa altera alianças.
Cada decisão molda o futuro da cidade.
Arquétipos que mudam o mundo
Em vez de simples opções de diálogo, Crow’s Requiem trabalha com arquétipos estruturais, que impactam sistemas inteiros:
Corvo Ouvinte
Empatia como ferramenta. Informações fluem para quem sabe escutar.
Corvo Sussurrante
Manipulação e carisma. Em um mundo sem leis, influência é poder.
Corvo Executor
Força direta. Quando palavras falham, a ação decide.
A cidade reage ao seu perfil. Missões se alteram. Facções mudam postura. O mundo não responde a um “herói” — responde ao tipo de pessoa que você escolheu ser.
Gameplay: o cotidiano do colapso
Crow’s Requiem estrutura sua experiência em três pilares:
1️⃣ O Trabalho
Cada missão envolve um mini-game de coleta — examinar, selar, ensacar. A tensão não vem de monstros saltando na tela, mas das condições impostas pelas facções.
Imagine precisar acelerar o processo porque rebeldes estão se aproximando. Ou cumprir um ritual sob vigilância de cultistas.
O horror é sistêmico.
2️⃣ Exploração de New Horizon
A cidade não é cenário genérico. São shopping centers convertidos em templos, bairros militarizados, zonas abandonadas onde o silêncio é uma sentença.
Décadas de quarentena deixaram cicatrizes.
3️⃣ Confrontos morais
Militares, Anarquistas, Cultistas.
Mais de 50 NPCs.
10 quests principais.
20 secundárias.
Múltiplos finais.
Você protege um rebelde ou o entrega?
Ajuda um culto em troca de acesso?
Mantém neutralidade ou escolhe um lado?
O verdadeiro inimigo: a erosão da humanidade
O grande diferencial de Crow’s Requiem não está em combates épicos.
Está nas decisões.
A infecção é biológica — mas também social.
Você continuará humano enquanto o mundo se desumaniza?
Por que esse projeto importa
O mercado brasileiro de jogos independentes cresce, mas poucos títulos apostam em:
Narrativa adulta
Worldbuilding político estruturado
Identidade estética autoral
Crítica social integrada à mecânica
Crow’s Requiem não é sobre matar zumbis.
É sobre sobreviver ao colapso moral.
Quando lança?
Lançamento previsto para 2026.
A demo “Prologue” já está disponível na Steam.
O projeto também está em pré-campanha no Catarse.
Vale a pena acompanhar?
Se você gosta de:
Disco Elysium
Pathologic
RPGs focados em escolha e consequência
Narrativas densas e politizadas
Sim.
Crow’s Requiem é um projeto brasileiro que não tenta imitar fórmulas globais — ele cria a sua própria.
Depois da praga, só restam decisões.
E você — sobreviveria como Corvo?




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