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segunda-feira, 1 de junho de 2026

Fernando Bittencourt participa de Brasil 70, da Netflix, e fala sobre sua série independente No Solo Inimigo, disponível na Tela Plus

Os bastidores das grandes produções costumam esconder histórias tão interessantes quanto aquelas que chegam às telas. É o caso de Fernando Bittencourt, ator que trabalhou durante meses como réplica nos testes da série Brasil 70, da Netflix, decorando diferentes personagens diariamente para auxiliar no processo de seleção do elenco. O que começou como um trabalho de apoio acabou se transformando em uma oportunidade dentro da própria produção. Agora, além de integrar a série da plataforma, ele também lançou a minissérie independente No Solo Inimigo, disponível gratuitamente para o público.


Fernando Bittencourt passou três meses sendo o "ator curinga" nos testes da superprodução. Além da estreia na plataforma, ele lança a série independente "No Solo Inimigo" — e você pode assistir grátis.

Se você acompanha bastidores de grandes produções, já deve ter ouvido falar de uma função essencial e quase invisível: o ator réplica. É aquele profissional que, longe dos holofotes, dá as falas, segura o olhar e sustenta a cena para que outros atores possam brilhar nos testes. Agora, imagine fazer esse trabalho durante três meses, com dez personagens na cabeça por dia, sob o comando de diretores indicados ao Oscar.

Foi exatamente essa a rotina de Fernando Bittencourt entre abril à junho de 2025.

“Tinha dia que eu fazia várias e várias vezes a mesma cena com diversos atores. Já em outros, eu tinha que estudar uns 10 personagens diferentes. Eu praticamente fiz todos os jogadores (risos).”

O palco desse desafio foi o processo de seleção de "Brasil 70", série da Netflix que revisita um dos momentos mais emblemáticos e doloridos do futebol brasileiro. As call backs aconteceram na sede da O2 Filmes e também no Campo Niterói, em Carapicuíba — onde parte das gravações foi realizada.

Da réplica ao elenco: como surgiu a chance


O trabalho de Bittencourt não era simples. Ele precisava se adaptar a cada ator e a cada personagem testado, alternando entre perfis completamente distintos. Às vezes, repetia a mesma cena dezenas de vezes com candidatos diferentes. Em outras ocasiões, recebia textos novos no meio do dia e os "devorava" na hora.

E quem conduzia essa bancada de peso? Nada menos que:

  • Paulo e Pedro Morelli (diretores)

  • Gabriel Domingues – diretor de elenco indicado ao Oscar em 2026 por Agente Secreto

  • Marina Medeiros – preparadora de elenco

“Além de tudo, poder conhecer, trabalhar e ser visto pela direção é uma coisa maravilhosa. Eu não tava nem aí se chegasse cena nova no meio do dia, eu queria era trabalhar e mostrar meu trabalho.”

No fim do processo, veio a recompensa: Fernando foi chamado para integrar o elenco de apoio da série. Sua participação acontece já no primeiro episódio, num momento de forte carga simbólica. Ele vive um pai de família – ao lado do jovem Théo Arruda – que representa a decepção de milhões de torcedores quando Pelé (Lucas Agrícola) volta da Copa de 1966.

A cena captura o sentimento amargo de uma nação que, depois dos títulos de 58 e 62, viu a seleção ter um desempenho pífio na Inglaterra. Fernando, ali, não é um personagem individual: ele é a voz de uma geração frustrada.

O outro lado da mesma moeda: "No Solo Inimigo"


Enquanto aguardava a estreia na Netflix, Bittencourt não ficou parado. Ele protagonizou, escreveu e dirigiu a minissérie independente "No Solo Inimigo" – disponível gratuitamente no streaming TELA PLUS.

A obra, em três episódios, coescrita com Victor Garbossa, mergulha fundo nos conflitos de classe e na corrupção que corroem São Paulo.

“O poder muda as pessoas, a Terra revela quem elas são.”

A trama gira em torno de Kaio (Fernando Bittencourt) , jovem criador de um espaço cultural numa obra pública abandonada, ao lado de sua parceira Clara (Myllena Oliver) . Do outro lado, está Brandão (Victor Garbossa) , um deputado disposto a tudo para erguer um prédio comercial no mesmo lugar. O que os une? Um campinho de terra batida onde ambos jogavam bola na infância.

A série transita entre:

  • Thriller político – com esquemas de corrupção e desvio de verbas públicas.

  • Duelo psicológico – que questiona se é possível manter a integridade no "solo inimigo" do sistema.

É um retrato cru do Brasil contemporâneo, onde o asfalto e a terra ainda lutam para definir o futuro das próximas gerações.

"Eu queria potencializar cada ator"


Mesmo com toda a pressão dos testes de Brasil 70, Fernando nunca perdeu de vista o lado humano do processo. Ele sabia que, para os atores sendo testados, aquele momento podia ser um dos mais decisivos – e nervosos – de suas carreiras.

“Ser testado para um projeto desse tamanho não é fácil. Ter alguém que em cena olhe nos seus olhos e diga: ‘Vamos lá, estou aqui com você’ faz toda a diferença.”

Essa generosidade em cena talvez explique por que um ator que começou como "réplica" acabou conquistando não apenas uma vaga na série, mas também o respeito de diretores e colegas.

Onde assistir

  • "Brasil 70" – Netflix (participação no 1º episódio)

  • "No Solo Inimigo" – TELA PLUS (completa e gratuita)

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