Imagine uma pequena cidade no interior gaúcho, primavera de 1999. O ar carrega o cheiro de terra molhada e o peso de um segredo. Um garoto desaparece. E nas conversas sussurradas, nos cantos escuros do imaginário coletivo, um nome emerge: o Velho do Saco. Esta é a premissa visceral de “Nada Floresceu em 99”, graphic novel que acaba de abrir pré-venda no Catarse e promete ressignificar uma das lendas mais sombrias do nosso folclore.
Mais do que uma história de investigação sobre um desaparecimento, a HQ dos autores Djeison Hoerlle e Eduardo Ribas (finalista do prêmio HQ MIX) é uma viagem às feridas da memória. A narrativa se desdobra em dois tempos: acompanhamos a busca desesperada de três amigos – Rafael, Marina e Tales – pelo colega Gustavo, enquanto, anos depois, um Rafael adulto revisita esses traumas tentando entender que cicatrizes aquele evento deixou em quem ele se tornou.
O Monstro Real e os Monstros Invisíveis
A genialidade da proposta está em usar a figura aterradora do Homem do Saco não apenas como um vilão folclórico, mas como um símbolo palpável dos medos reais que assombram a transição para a vida adulta. A história promete mergulhar em temas pesados e necessários:
A violência silenciosa do mundo adulto vista pelos olhos das crianças.
O abandono e o preconceito que moldam comunidades pequenas.
A culpa que persegue aqueles que ficam para trás.
O amadurecimento traumático, onde a perda da inocência não é um processo natural, mas um rompimento brusco.
Uma Obra que é um Ato de Resistência Cultural
“Nada Floresceu em 99” é fruto da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, um respiro importante para a cultura nacional, e será lançado pelo Selo Dom Mordaz. Criado em 2024 por Hoerlle e Braian Malfatti, o selo tem uma missão nobre: atuar sem fins lucrativos para amparar autores no árduo caminho da autopublicação, da ideia à obra impressa.
Por que Apoiar essa História?
Universalidade na Especificidade: Apesar de se passar no Rio Grande do Sul em 1999, a trama toca em feridas universais – a nostalgia dolorosa, a sombra do passado e a luta para fazer sentido da própria história.
Relevância do Folclore: Resgata nosso imaginário popular, não como curiosidade, mas como ferramenta narrativa poderosa para falar de traumas coletivos.
Autores com Credibilidade: Eduardo Ribas traz a experiência de finalista do HQ MIX, e Djeison Hoerlle a consistência de uma carreira literária independente.
Apoio ao Ecossistema: Contribuir é financiar mais do que um livro; é sustentar um modelo alternativo e colaborativo de produção cultural no Brasil.
Detalhes da Obra e da Pré-venda:
Formato: 102 páginas em papel offset, 16x23 cm, capa cartão com orelhas.
Lançamento previsto: Fevereiro de 2026.
Onde apoiar: Campanha de financiamento coletivo no Catarse (pesquise por “Nada Floresceu em 99” ou “Selo Dom Mordaz”).
Recompensas: Além da HQ principal, os apoiadores têm acesso a outros títulos do selo, ampliando o alcance do apoio.
Convidamos você a refletir: O que realmente aconteceu naquela primavera de 99? O monstro era o homem do saco, ou eram os segredos que a cidade escondia? E o que da sua infância ainda precisa ser revisado e compreendido?
“Nada Floresceu em 99” não é apenas uma história em quadrinhos. É um convite para uma jornada interior, um espelho segurando para as dores do crescimento e um testemunho do poder do nosso folclore quando manipulado por vozes narrativas talentosas.
Apoie. Mergulhe. Deixe-se levar pelo saco das memórias que não queremos carregar, mas que nunca conseguimos deixar para trás.




Nenhum comentário:
Postar um comentário