Somente em 2025, foram lançados 676 volumes de mangás no país, o maior número já registrado. O dado não representa apenas crescimento pontual, mas o ápice de uma curva ascendente que se mantém consistente há pelo menos cinco anos.
NÚMEROS QUE EXPLICAM O FENÔMENO
O levantamento revela um crescimento impressionante e contínuo:
2020: 396 volumes
2021: 476 volumes
2022: 553 volumes
2023: 657 volumes
2024: 656 volumes
2025: 676 volumes
No acumulado, o mercado registrou um aumento superior a 70% nas vendas em apenas cinco anos — um desempenho raro dentro do setor editorial brasileiro, historicamente marcado por retrações. Mais do que um pico isolado, os dados indicam estabilidade e maturidade.
DE NICHO A LINGUAGEM DOMINANTE
O primeiro mangá publicado oficialmente no Brasil foi O Lobo Solitário, em 1988. Na época, o formato era visto como exótico, distante do leitor médio e restrito a um público muito específico. Quase quatro décadas depois, o cenário é radicalmente diferente.
Os mangás deixaram de ser apenas “quadrinhos japoneses” para se tornarem uma linguagem narrativa amplamente aceita, influenciando desde a formação de novos leitores até o comportamento das grandes editoras.
Hoje, o mangá:
forma leitores jovens;
sustenta livrarias especializadas;
ocupa espaço central em grandes redes;
dialoga com cinema, games e streaming.
UM FORMATO QUE QUEBRA PADRÕES
Parte do sucesso está no próprio modo como os mangás se apresentam. Diferente das HQs ocidentais, eles mantêm suas características originais:
leitura da direita para a esquerda;
narrativa visual mais dinâmica;
menos texto e mais ritmo;
forte apelo emocional.
Esses elementos tornam o mangá mais acessível para novos leitores, especialmente em um cenário onde o tempo de atenção é cada vez mais disputado.
DIVERSIDADE: O VERDADEIRO MOTOR DO CRESCIMENTO
Para especialistas do setor, o segredo do mangá não está apenas na estética ou no apelo jovem, mas na diversidade quase infinita de temas.
Segundo Junior Fonseca, diretor e editor-chefe da Newpop Editora, o mangá se mantém aquecido justamente por conseguir dialogar com todos os interesses possíveis:
“Eu quero um mangá que fale sobre culinária, você vai encontrar. Eu quero um mangá que fale sobre mercado financeiro, você vai encontrar. O mangá está tão dentro da cultura que ele abraça tudo. Qualquer que seja o seu gosto, você vai achar um mangá que te atenda.”
Essa capacidade de abraçar qualquer tema — do romance ao terror, da filosofia à economia — faz do mangá um dos formatos narrativos mais versáteis da atualidade.
MAIS DO QUE TENDÊNCIA, UMA MUDANÇA ESTRUTURAL
O crescimento dos mangás não é uma moda passageira. Ele revela uma mudança profunda no comportamento do leitor brasileiro, que busca:
narrativas seriadas;
identidade visual forte;
temas contemporâneos;
histórias que dialoguem com emoções reais.
Editoras entenderam isso, livrarias se adaptaram, e o público respondeu com engajamento. O resultado é um mercado que, diferente de outros segmentos editoriais, não apenas resiste — avança.
CONCLUSÃO
O boom dos mangás no Brasil não é só um sucesso comercial. É o reflexo de uma geração que encontrou nesse formato uma forma legítima de expressão cultural, leitura e pertencimento.
De um lançamento isolado em 1988 ao recorde histórico de 2025, os mangás deixaram de pedir espaço.
Hoje, eles ocupam o centro da estante.
E tudo indica que essa história ainda está longe de acabar.



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