Em um cenário onde a indústria de quadrinhos muitas vezes busca o próximo grande sucesso em fórmulas repetidas, surge do subúrbio mais íntimo dos sonhos um projeto que se propõe a ser mais do que entretenimento. XARÁ é a epopeia de um menino manchado (VITILIGO), de amigos “imaginários” de quatro patas e de uma guerra milenar entre a luz e a escuridão que será decidida não por deuses exaustos, mas pela teimosia de um garoto que se recusa a desistir. Criado por Ulissès Peréz, ilustrador profissional com uma trajetória vasta e respeitada no universo da arte e da cultura pop brasileira, Xará é descrito como um “Manbratoon” — uma fusão única entre a estética dinâmica do mangá, a narrativa acessível do cartoon e a essência cultural brasileira. É nesse caldeirão criativo que nasce a "Aventura Mais Épica de Todos os Tempos".
O Criador: Ulissès Peréz e Seu Legado no Mercado de Arte Nacional
Antes de mergulharmos na epopeia de Xará, é fundamental entender as mãos que deram vida a este universo. Ulissès Peréz não é um estreante no cenário editorial brasileiro. Pelo contrário, sua trajetória é marcada por contribuições significativas em algumas das franquias e publicações mais amadas pelos fãs de quadrinhos, mangá e cultura pop no Brasil.
Ulissès é um artista autodidata. Tudo o que ele aprendeu até hoje foi fruto de uma mente inquieta e completamente apaixonada pela arte, observador por natureza, que transformou o silêncio e a contemplação em ferramentas de aprendizado constante. Sem nunca ter frequentado uma escola de arte formal, ele construiu seu próprio caminho com lápis, papel e uma disciplina silenciosa, priorizando entregar e oferecer qualidade em cada traço, em cada experiência, em vez de simplesmente fazer algo que seria esquecido.
Ulissès construiu sua carreira como ilustrador profissional, conquistando espaço em projetos de grande visibilidade. Ele atuou como Ilustrador oficial do Pokémon Club e Evolution, publicações que marcaram época e formaram gerações de fãs da franquia no Brasil. Sua capacidade de capturar a essência dos monstros de bolso e transportá-los para as páginas das revistas consolidou seu nome como um dos grandes ilustradores do gênero no país.
O portfólio de Ulissès Peréz é ainda mais rico. Ele ilustrou Disney, Hentais, criações de personagens para animações, Combo Rangers Revolution e muito mais, além de ter colaborado com revistas como Hypercomix e sido diretor de arte do sucesso editorial Anime>DO. Cada um desses trabalhos demonstra a versatilidade do artista, que transita entre o humor ácido, a narrativa adulta e o universo dos super-heróis com a mesma maestria.
É esse caldeirão de experiências — do traço dinâmico exigido por Pokémon à narrativa profunda de obras autorais — que deságua em Xará, o projeto que Ulissès define como o "projeto da sua vida".
A Guerra que Vem das Cores
A mitologia de Xará é grandiosa e antiga. Eras atrás, a entidade chamada ESCURIDÃO tentou destruir o DEUS SOL para dominar "este universo". Incontáveis tentativas sem sucesso aconteceram até a última "GRANDE GUERRA" chamada de "ESFERA DE TITAN", em que o Deus Sol conseguiu banir "de vez" a Escuridão e seu exército de DAE’S.
Desde então, o Deus Sol usou quase todo seu poder, deixando “este universo” completamente desprotegido. Com suas “últimas forças”, ele foi obrigado a criar uma espécie de arma muito poderosa, capaz de recarregá-lo, mantendo-o forte e poderoso sempre que algum perigo iminente surgisse.
A Escuridão, acreditando ter criado o "plano perfeito", se prepara em silêncio para voltar ao ataque e conquistar este universo e destruir o Deus Sol. Só que ela não percebeu uma pequenina grande pedra manchadinha em seu caminho chamada XARÁ, que irá dificultar muito este plano e criar a maior de todas as batalhas que este ou todos os outros universos já conheceram.
É a ÚLTIMA GRANDE GUERRA entre a luz e a escuridão, regida pelo poder das CORES. A aventura mais épica de todos os tempos vai levar Xará e sua turma a descobrir reinos, duelos, combates, evoluções e conhecimento além da imaginação, e descobrirão que no fim do arco-íris tem muito mais que um simples pote de ouro!
O Esquadrão “Rei da Rua”: Conheça a Turma
O coração de Xará pulsa em um bairro chamado Eliana’s Garden, onde a infância é vivida no limite entre a fantasia e a realidade. Cada membro da turma carrega não apenas um arquétipo de aventura, mas uma bagagem emocional profunda: temas de adoção, luto e a busca por identidade.
Xará – O Rei da Rua
O protagonista é a definição de “alma velha em corpo de criança”. Órfão desde bebê, ele não se lembra de seus pais, mas é seguido por três amigos imaginários em forma de cães: Lordy, Colly e Rocky. Sonhador, leal e intenso, Xará encara a vida com a filosofia que criou na primeira série: “Desistir não é uma opção!”. Ele não foge de brigas, defende os amigos e acredita em segundas chances. Sua marca mais visível é o vitiligo, uma condição que ele transforma em questionamento filosófico (“Sou branquinho com manchas marrons ou marromzinho com manchas brancas?”) e em motivo de brigas contra os valentões MauMau e Frango quando o chamam de "Manchinha". Sua vida muda ao acordar em um facho de luz com as cores azul e vermelho, descobrindo ser o "Escolhido".
Xeregões – A Esquentadinha
Melhor amiga e vizinha de Xará, ela é o oposto explosivo do otimismo dele. Órfã adotada por uma família com quatro irmãs, ela vive praticamente na casa de Xará para escapar da criação rígida. Inteligente, mas temperamental, é a líder nas brincadeiras de taco e morre de medo de varinha de marmelo. Sua lealdade é cega e protetora.
O Grande – O Gigante de Olhar Doce
Admirador secreto de Xará (“por ele viver a vida como ele queria viver”), O Grande parece dobrar de tamanho quando protege os amigos. Guarda um quintal misterioso com uma horta perfeita e uma casinha trancada que ninguém pode entrar. Vive sob os cuidados de uma avó/mãe fria e cruel que o chama de "Bola de Sebo". Apaixonado por Baba (Babaramanana) , nunca consegue se declarar.
Cabeça de Ovo – O Conector
Adotado por uma família de “macumbeiros candomblecistas”, ele perdeu a mãe adotiva em um trágico ocorrido. Considerado o mais estranho do bairro pelo formato da cabeça, ele é na verdade o mais leal. Tem uma conexão espiritual com duas galinhas pretas, Mulambo e Caveira, que salvou de um terreiro e que servem como suas confidentes e protetoras. Seu grande sonho é libertar seus 7 irmãos do jugo do irmão mais velho.
Babaramanana – A Dupla Face
A mais misteriosa da turma. Meiga e tímida, mas capaz de “virar o cão chupando manga” em um instante. Possui duas cores de cabelo e olhos. Adotada por uma família problemática, encontrou na turma de Xará a verdadeira família. Ela esconde um grande segredo que pode mudar a vida de todos, além de ser a paixão secreta tanto de O Grande quanto de Cabeça de Ovo.
Os Guardiões e Mistérios do Mundo
Além da turma principal, o universo de Xará é habitado por figuras enigmáticas que guardam as chaves para o passado e o futuro da guerra contra a Escuridão.
Gran-Ma – A Primeira Eca Fundida
Gran-Ma é a primeira "ECA" fundida. Ela é a companheira do Sr.G, e teve de se fundir a um "Gôe" para continuar viva. Um ECA nasce somente com a união permitida de um humano com um Gôe — uma fusão que representa tanto a esperança quanto o sacrifício na mitologia da obra.
Sr.G – O Carrasco
Sr.G é o "avô" de Xará e treinador de Ecas. Ex-general do Rei, ficou "cego" em uma das Grandes Guerras. É chamado de "Rejeitado" porque abandonou seu "posto" para cuidar de sua esposa e grande amor. Seu cigarro de palha nunca se apaga! Tem o apelido de "CARRASCO" e mantém uma relação de aparente tensão com O Grande, que nunca fala com ele, como se se odiassem.
Gôe – Os Enviados da Escuridão
Os "GÓES" são entidades enviadas para o Planeta Terra pela "ESCURIDÃO", com o propósito de criar um exército de DAE's. Eles representam a ameaça silenciosa que se infiltra no mundo, aguardando o momento do ataque final.
O Criador e a Criatura: A Redenção por Trás do Traço
Xará não é apenas um projeto comercial; é a redenção pessoal de Ulissès Peréz. A história surgiu literalmente de um sonho. Em uma madrugada, Ulissès acordou e, em três folhas de sulfite, esboçou 16 páginas com começo, meio e fim definidos em arcos, além de uma capa.
O mais impressionante é que, enquanto desenhava, flashes de suas próprias experiências de vida se uniam às aventuras do protagonista. Assim como Xará, Ulissès enxerga na fantasia e na imaginação as ferramentas para enfrentar as maiores crueldades. Em suas próprias palavras, Xará surgiu como uma espécie de redenção aos perdões necessários, dados e doados da sua trajetória de vida — uma trajetória que é muito similar à do Xará, onde todos, inclusivos e acessíveis, eram (e ainda são) os seus olhos e sentimentos como “IGUAIS”.
Ulissès relembra que, na infância, ele e seus amigos passavam pelas maiores CRUELDADES usando da fantasia e imaginação para serem seus próprios guerreiros, enfrentando seus monstros e os monstros dos outros em um RPG sem pontuação ou premiação. É essa essência que ele busca capturar em Xará.
Com o primeiro prólogo, Arco-Íris, se aproximando da reta final, ele revela um pouco de muito que está por vir e mostra um pequeno resumo da atmosfera do que é Xará.
“XARÁ É SEM DÚVIDAS O PROJETO DA SUA VIDA, nele conseguiu unir a criação com a criatura MOSTRANDO COMO ENCAROU E CONTINUO ENCARANDO A VIDA TENDO AS CORES SUAS ETERNAS GUARDIÃS.”
O projeto é um resgate emocional, uma superação de tabus e uma demonstração de que a necessidade de se ver no outro é essencial para o próprio crescimento. Em um mercado de quadrinhos que pede diversidade e representatividade, Xará entrega um herói com vitiligo, uma turma formada majoritariamente por crianças adotadas e uma narrativa que celebra a amizade incondicional.
Acima de tudo, Xará mostra que mesmo em meio à mais completa escuridão, as cores verdadeiras que habitam em cada um de nós são capazes de enfrentar duelos, batalhas e até guerras, capazes de vencer qualquer tipo de escuridão.
Um Manbratoon em Movimento
O estilo único que Ulissès Peréz desenvolveu ao longo de sua carreira encontra em Xará sua expressão mais completa. O “MANBRATOON” — conceito que define a obra como uma fusão de MANGÁ + BRASIL + CARTOON — não é apenas um termo de marketing; é a síntese de décadas de trabalho e influências.
Conclusão: Um Chamado para a Última Grande Guerra
Com o primeiro prólogo, Arco-Íris, sendo finalizado, a atmosfera do que está por vir é clara: Xará é uma obra dinâmica, divertida e repleta de aventura, mas que não tem medo de pisar em terrenos mais profundos como o abandono, o preconceito, a superação de tabus e a força curativa da amizade.
A frase de Xará — “Desistir não é uma opção!” — nunca foi tão importante. Enquanto a Escuridão se prepara para destruir o Deus Sol e conquistar o universo, o destino de todos os reinos e realidades depende de um garoto que só queria viver um RPG de verdade, acompanhado por sua turma de leais guerreiros.
Desistir não é uma opção. E com Xará, Ulissès Peréz prova que essa não é apenas a frase do protagonista, mas o lema de um projeto que veio para ficar.



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